Monólogo - Homens

 TÍTULO: “APENAS UM CARA”


(Um homem está sentado à mesa, olhando para uma xícara de chá. Ele suspira, meio perdido, depois sorri de canto, sem acreditar no que está sentindo.)


Sabe o que é engraçado? Eu sempre achei que minha vida seria… normal. Uma livraria, livros velhos, chá de qualidade duvidosa… Nada muito emocionante. E, de repente…


(Pausa. Ele balança a cabeça, tentando entender.)


De repente, eu estou aqui, sentado, tentando convencer a mim mesmo de que isso nunca aconteceu. Que foi um sonho. Um erro. Porque… como é possível?


(Levanta-se, começa a andar, nervoso, rindo de si mesmo.)


Ela é… ela. Todo mundo a conhece. Todo mundo a ama. E eu sou só… um cara. Um cara com um avental ridículo e uma livraria quase falida.


(Pára, encara o público, mais sério agora.)


Mas quando ela olhou pra mim… não foi como olham nas revistas, nos filmes. Foi diferente. Foi real. E, por um segundo… um segundo só… eu achei que talvez… talvez fosse possível.


(Suspira, sorrindo de leve, mas logo muda o tom.)


Mas é claro que não é. Porque histórias assim não acontecem com caras como eu.


(Balança a cabeça, rindo, pega a xícara de chá, dá um gole, faz uma careta.)


E esse chá continua horrível.

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