Monólogo - Homens 40 +

 Quarenta anos nas costas. Quarenta anos ouvindo que homem de verdade não chora, não fraqueja, não perde a compostura. Meu pai... Ele martelou isso na minha cabeça como se fosse a única verdade. "Homem é durão", ele dizia. "Homem não leva desaforo pra casa." E eu, querendo ser o filho que ele respeitasse, segui o manual à risca.

Só que esse manual é uma merda. Uma merda que só serviu pra me transformar numa porra de um robô. Um robô que não sabe o que é carinho, que não sabe o que é pedir ajuda. Um robô que acha que engolir o choro é sinal de força. Mas a verdade? A verdade é que eu tô arrebentado por dentro. Todo fodido, mas com a cara amarrada, fingindo que tá tudo bem.

Meu pai... Ele também era uma vítima dessa ideia estúpida de masculinidade. Um homem que nunca soube o que é demonstrar afeto, que só sabia mandar, controlar, reprimir. E eu, burro, segui os passos dele. Queria ser o macho alfa que ele esperava. E olha só onde isso me trouxe. Uma vida inteira de solidão e amargura.

Mas quer saber? Foda-se. Eu tô cansado de ser essa caricatura de homem. Tô cansado de viver sob a sombra de um velho que nunca soube amar. Eu quero ser mais do que isso. Quero ser humano. Quero sentir, porra! Quero chorar sem medo, quero rir até a barriga doer. Quero ser um homem de verdade, não essa casca vazia que meu pai moldou.

Quarenta anos. Ainda dá tempo. Tempo de mudar, tempo de ser o homem que eu escolho ser, não o que meu pai queria que eu fosse. Tempo de quebrar essa corrente de masculinidade tóxica e ser, finalmente, livre.

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